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Wednesday, September 16, 2009

Como vai a vida?

A vida? Ah, a vida!
A vida continua.
Continua toda nua,
Pequena lua sem vergonha e indolente
Continua toda tua,
Morena crua de QI zero e rabo quente
Vida levada!
E levada vai a vida
Por um Hércules qualquer
sem o mínimo saco para carregar tanto chinês nessa esfera.

Wednesday, June 24, 2009

Branco

"White"
by GreenEyedHarpy
do Deviantart


Branco, porque branco é preciso!
Que bem-vindas sejam, brancas, brancas nuvens de algodão.

Branco de doer os olhos, branco de claridade, branco de afagos, branco de tão negro em raça.

Atiça-me o branco, desejo-te, alvo amigo, quero-te, como quer o náufrago a terra, o astronauta a Terra, o sem-terra a terra!

Vem para mim, habilita-me enxergar pelos teus olhos, pois os meus acostumados às sombras do dia Londrino me consomem...

De brancuras outro já viveu,
Agora permita-me que esse outro vivente do branco, seja eu.

Saturday, April 25, 2009

Nós hoje




O que foi que esquecemos? Onde foi parar a nossa "Don't let me down" diária?

Passo a passo, respiro o compasso do contrapasso esquecido...

Não existem ídolos ou heróis em meu caminho. Somente personagens esquecidos, rostos apagados e olhares cabisbaixos.

O mundo esqueceu de ser mundo.

E nós, nós não sabemos...

Saturday, November 29, 2008

Você matinal

Bavarian Morning II
by mutrus


Se os poemas de Rimbaud não forem suficientes, que usemos mais desses jargões indecentes.
Não me ofereces da tua bebida? Que ela te mate, cirrose, profunda e ferida,
Não posso conter as ilusões se vosso eu categórico lhe tem mais atrações
Não, não cultivarei bons corações, não gosto de pleonasmos.
Por onde andas eu-lírico sempre à deriva? Se priva, se criva, se perde em fumaça de mirra?
Minha consciência gira com a roda das carroças dos ciganos, perdida feliz entre orgasmos, denúncias, espasmos e pronúncias de sagazes ledos enganos.
Sentes no chão o ritmo dos tambores ao longe?
Sentes no chão, descarrega este alfange,
Sentes a mão, que te guia exangue?
Eis tu em meu corpo, como a boca num copo, como a cor num colóquio, como o dia que colores, quando se abre em conjugações inexistentes, como a cor flictícea que se jorra de si mesma, redundante, exuberante, foderante...
... ante a mim mesmo em você, logo você... o Logos em você, de manhã...

Friday, November 21, 2008

Fora de mim


Outside
by Pink-Kitten

Anéis de fumaça faço com meu amigo mago da noite e do dia
Libertina anfetamina, vem menina, seja esse querenar da minha embarcação sem leme
Sou todo olhos e nenhum pouco ouvido, apedrejei os discursos
Quem dera, quem dera, um pouco de muito dessa querela!
Pois me queixo, gueixo, gay só para não ser tão macho, diacho!
Me fodo, me inspiro, e quando longe de mim
porra, santo de casa!
então, me admiro!

Monday, November 03, 2008

Mais clichê por favor!


L.O.V.E. by LullabyOfLilly
do Deviantart


Mais clichê por favor! É do medo do medo que nasce o fio medonho, o aterrorizante, o abominável, o irremediável rótulo CLICHÊ! Não podemos ser nós mesmos, pois isso é ser clichê. Claro. Não podemos ser nacionalistas, pois isso é ser clichê, culpa do Renato Russo, daquela bandinha clichê, sabe? Não se pode cheirar a flor por cima do muro e nem levar rosas para a namorada. Não, clichê demais! Piegas demais! Necas. Se você quer ser cult tem que manter as aparências e não chorar, garoto! Pois homem que chora e é sensível é clichê. Argh, isso sem falar dos emos... não, você não pode amar nada que se aproxime de all stars e cabelinho assim ou assado ou calça quadriculada, cinto de rebite, etc. Não, é muiiiito clichê! Por favor, não faça consigo mesmo esse suicídio social. Você deve fugir do clichê, do lugar-comum. Sim, você DEVE! Oras, você deve ouvir as bandas obscuras... mesmo que elas só falem merda e você não concorde. Você deve gostar dos autores lubrificados que ouvem as bandas obscuras... e ah, claro, você deve assistir os filmes doentios ou não, contanto que eles não firam a etiqueta do não-clichê, está ok.
E sim, toda vez que for embora da casa de uma pessoa amada, nunca olhe para trás e dê tchauzinhos... não, não, totalmente clichê. De uma forma geral, evite a felicidade e o envolvimento com a alegria, pois ambas te dirigem em direção à clichezisse. Bem, claro que conforme você for se afastando de ambos, ficará solitário, triste, amargurado e morrendo de vontade de dar um sorrisinho do abraço-clichê-com-beijo-clichê-de-eu-te-amo-e-você-é-tudo-de-bom-nessa-vida no final da comédia romântica. Mas HEY? Porquê você estava assistindo essa porra?! Nada disso, clichê demaaaaais! Se afaste disso. Oh, sério? Então você foi atrás disso porque estava na fossa? Tsc tsc... fim de carreira, hein, amigão? Você já era! É um fracassado, um loser, um clichezudo do capeta e vai arder no mármore clichê do Inferno por conta do seu comportamento. Contudo, talvez você ainda tenha chance, caso decida mudar de comportamento. Bem, você irá para o céu, sabe? Mas não tema. É clichê ir para o Inferno de todo jeito. Se você puder esquecer de toda a necessidade humana de afeto, de toda a sua necessidade e sede de conhecimento (sim, ser CDF, inteligente e nerdzinho é clichê, oras!) e das suas vontades, desejos e vícios você provavelmente vai conseguir chegar no céu do esquecimento de si mesmo... claro que depois disso, sei lá, talvez as coisas não façam mais sentido, mas pelo menos você saiu do clichê... ou anjos também são algo clichê? Devem ser... não sei de mais nada. Isso tudo é culpa dessa coisa social clichê de ficar rotulando tudo... por isso, meu amigo, é que eu digo: MAIS CLICHÊ POR FAVOR!

Saturday, July 12, 2008

O Grande Perdedor

"For my Dear"
by Shugarfree do Deviantart



E o grande perdedor jogou seu chapéu
Na platéia, apenas cópias dele mesmo aplaudiam.
Uma a uma, as mãos suas, tão dela, o cumprimentaram:
"Um sucesso", "sim, admirável".

Orgulhoso com o sucesso de si para si mesmo
Viajou ele o mundo a fora
O mundo a fora do ensimesmismo
E se perdeu no esmo
torto torto... dele, dele...

dele mesmo...

Monday, April 28, 2008

Elipse do Poema Liberto

"Rhythm" por chicnhed
do Deviantart


Ilógica, a lógica do Logos elabora um lago
Sereno d'onde o ser se assemelha a cereja
E sobeja soberba, borbulha e barbeia
As sobras da minha caminha rainha cheia de manha: a poesia
Um suflê de insultos ao QI
Voa a sonoridade vaidosa, um vulto vago de volúpia.
Vão e vem os trens, o Cão diz amém ao mestre zen.
Enquanto martela Marcela com seu malho, eu ralho.
Ela malha com sua malha de Mântua
Onde diz ela que lá encontrou Romeu com seu gineceu Capuleto
Que seja, já que a abadeja aboriginou-se quando arboreceu
A nossa vizinhança de víveres vívidos vindos
Dos gnomos em seus grifos de gritos glosados de palavras não escritas.]
Manuscritas foram as dedilhagens ao violão do Destino.
Quando o poeta cheio de desatino se lembrou de ser menino
Ameninou-se quando amenizou-se os traços do fado traiçoeiro em sua face]
Não necessariamente nesta ordem e na conjugação correta
Visto que a desordem organiza os pratos da alegoria a ser servida.
Vai vida vadia verdadeiramente e atira os átomos atormentados atônitos]
Na ilógica da ilógica do Logos que elabora um lago
Sereno d'onde o ser se assemelha a cereja
E sobeja soberba borbulha e barbeia
As sobras da minha e da de Pero Vaz de Caminha
Um suflê de insultos ao QI...

Thursday, April 24, 2008

A esperar

"I feel your world of mistery"
by Tania from Deviantart


Um é o mundo que vejo
Outro é o Universo que sou
Da letra morta
Levanto a poesia viva
Canto a heresia albina
Repleta da água esquecida
No poço da profunda consciência

O mundo é só desejo
Meu Universo e sua conquista é o meu.
Nenhum mistério
Nada é místico
Quando o mixto do seu ser
Se mostra a massa mercante
Um marasmo maravilhoso
Um monte movido do que é.

O mundo é só
Mundo, mundo, mundo
Seu sentido se perde
E dele
Que me oferece
Apenas símbolos vazios quicantes e gargalhantes
Nada quero
Pois não quico e não gargalho,
mas sorrio.

Tuesday, January 15, 2008

O Brado

"Land and Sky"
por Lucias Tears do Deviantart


Nas tundras, nos charcos, nos pântanos
Ecoa uma nova voz, um novo cântico
Se reergue o cavaleiro caído
E o aventureiro outrora perdido

Nos bosques e na areia do Deserto de Fogo
Perpassa um grito, percorre um rogo
Que caiam as vilanias, que caiam as mazelas
Para a terra povoar-se dos lindos rostos das donzelas

Nas montanhas, nas colinas e n'orizonte azulado
Trespassa um chamado em forma d'um corcel dourado
Que ressurja a glória do passado esquecida
Que a tristeza se desfaça como a lâmina partida

Nas Florestas do Sul, nas Florestas do Norte
Se ouve o brado de luta, glória, liberdade e morte
Que tombe o tirano e seus exércitos ao solo
E que as mães tranquilas tenham sua criança no colo

Nas Terras do Oeste, nas Terras do Leste
Se vê perecer pelo caminho a peste
Pois passa d'ora do valente ir à mostra
Que surja a nova força pelo qual o bem se prostra.

Monday, December 31, 2007

O Invisível

"Waiting" por Klondesing,
do Deviantart


E guardo comigo essa impressão tola de vida jogada no lixo
Desperdiçada em chamas ilusórias
Não sei para onde me leva tal estrada sem faixas de condução
Tal impressão permanece,
Como o corvo de Poe me olhando no meio da noite escura.
Será que desando em meu andar?
E o mundo que me afasta a pequenina estrela com suas lâmpadas,
mesmo mundo que me obriga e lombriga
Me implanta a semente do que sou e não sou...
Do que devo (devo?) ser...
E existem budistas procurando o não-ser. Mas não quero rimas.
Paro.
Espero a chuva que não vem e o arco-íris que não aparece.
O invisível...

Sunday, November 04, 2007

Arte vendida


"The Sale"
por Protogeny do Deviantart

Até que às vezes eu gostaria de dormir. Diminuiria meu amargor. Não sei bem o que dizer quando o seu passado já se foi e você não é mais ele, embora ainda o relacionem a tal, como uma imagem que não se desprende da sua ... blá, blá... acho melhor dizer que é uma porra de chiclete que não desgruda da porra da tua sola. É mais inteligível e mais cult. Nada mais cult do que parecer bêbado e escrever umas linhas, dar um clima noir de uma pequena depressão noturna, de solidão e coisa que o valha. Pelo menos essa merda vende, cria visitas, isso e aquilo. Posso até ficar famoso, quem sabe?
Mas o perigo não é a fama, é o uso que se faz dela. Não vou entrar em detalhes éticos, eles enchem o saco e "morrer de saco cheio" já virou até epitáfio. Estou de porre. Porre moral? Não... isso não existe para mim. Percebi que depois que se enfia o pé na bosta não há como voltar. Os meios são tardos, mortos, vadios. E só quero aquele meu rock'n'roll antigo. Tá vendo, o tom de bêbado voltou, junto com o clima noir. Agora só falta arranjar uma biscate. O bom de falar assim é que daí as pessoas te levam a sério. "Arranjar uma biscate" já sugere em muitas mentes (senão na maioria) que você enxerga o que chamam de "realidade". Amor? Não, não, nada de relacionamentos "sérios" de mãos dadas, beijinhos e flores. Nah, o negócio é puro sexo, interesse físico, flerte, tipo, estilo, tribo. É ter caquete. Ser o bom, fingir que se é pelo menos, não interessa, é claro, quais os bons costumes infringidos. Bons costumes é o caralho, e caralho, meu amigo, é o que muita bunda deseja.
Poeta das estrelas, das flores? Não, isso não dá futuro. O negócio é ser um escritor visceral, que não mede palavras, nem mede a tonacidade dos seus versos e nem mede as sílabas. A forma agora é mais do que livre, é libertina. É uma forma orgástica.
O lance é pensarem que você está louco de usar pó, de injetar na veia, de fumar pedra, de acabar com seus pulmões, cair pela esquina chorando as merdas do mundo e lamentando o imutável.
Por que é legal ser filósofo de bar, e só. O por que dessa porra ninguém sabe dizer ou talvez ninguém reflita sobre.
Nada quero saber sobre isso também. Quero a liberdade dos francamente insensíveis que não enterram os corpos das vítimas mutiladas diariamente. A franqueza dos desinteressados. Quero cada vez mais a dormência dos desinteressados. Quanto mais filho da puta, mais moedas de cobre no bolso. E talvez um caminho diferente para despertar...

Saturday, September 29, 2007

Ciclos


Louco, giro o anel em meu dedo
Como o mundo que gira e gira
Olho com fobia
A minha fria respiração
Lenta, ruidosa, asmática, rasgada
O que sobra de um homem além das suas sobras?
Insano, rio como um rio
Esgotado de doar lágrimas para cachoeiras
Meu leito está seco
E espinhoso o meu regaço
A vida se atira como uma criança perversa
Sob as rodas de um trem inseguro
Após a morte, renasço renovado
Uma criança pronta para se enlamear novamente

Wednesday, September 12, 2007

Símbolos



Virada para lua, vela segredos
Sua cortante lâmina só busca
A direção do Sol, a luz que ofusca
Lugar onde cumprir um bom degrêdo

Lânguida face a lua põe em enredo
Seu olhar é a taça de cor fusca
Esquecida da luz, tornou-se lusca
E agora protege o que põe medo

As cores divergentes se entrelaçam
Do escuro e do claro se faz rara
A virgem alquimia: sangue e agara

Convergentes no branco onde se enlaçam
Ambos os cones se fazem em xara:
A morte nessa vida não se para.

Monday, June 11, 2007

Dos desejos para o meu verso

"Floating"
Hellfirediva (Deviantart)

Não quero que minha poesia
Seja maculada pela embriaguez do mundo,
Pois gosto dos sorrisos das Fadas dos Elíseos,
Do canto etéreo de Carmina
Gosto do gosto daquele verso, daquele verso profundo.

Não quero que minha poesia
Seja cantada pelos bardos insanos.
Não quero ela mascada, dividida,
Como o fumo dos alegres notívagos.

Não quero que se perca pelo caminho
O canto de alvorada que meu verso traz
Nem o hálito da manhã
Com o orvalho puro nele contido.

Imaculado, quero ele.
Virgem para o sacrifício
De ser o que é e apenas isso:
Palavras perfumantes flutuando ao vento.

Friday, May 25, 2007

Portas














Eu, que me fiz tão longe para
desfazer o perto
Desconheço quantos corações cabem na palma da mão
Não os coleciono, só os admiro.
Deixo isso para os cleptomaníacos.
E quando vejo um sorriso em que nada falta
Desato a rir-me por dentro
Enquanto fora choram meus olhos.
No mundo sobram flores
E há o dobro de lágrimas.
Perco as palavras quando meu coração pulsa
Ultimamente anda ele sedentário
Cansou-se de proporcionar calor
À um mundo totalmente refratário.
E as rimas, que como acima
Volta e meia me escapam
Volta e meia me encantam.
É o que sobrou do pulsar.
Toc Toc! De rimas pobres vivo
E pergunto: Posso entrar?

Wednesday, May 02, 2007

O Verbo Exilado















Meu verbo parou no tempo
De substantivo fez-se
Esqueceu-se na semântica

Quem ousou levar ungüento
De tal luminosa tez
Por um caminho de errância?

Como de volta o acento
Agudo de alma terei
Atraído as minhas ânsias?

Quais estrelas ao relento
Hão de meu eu proteger
Da estranha dissonância

Do poeta se perder
Substantivo no tempo
Sem linha, tempo, fragrância?

Friday, March 23, 2007

A luz que falta




Que luz é essa
Tão baixa que nem parece luz?
Que luz é essa
Um sulco, um suco sem sumo?
Que luz é essa
Triste, mórbida, lucifóbica?

Viria da própria falta de si
Ou da descrença sobre sua realidade?
Ignorância ou alucismo?

Que te falta luz nos olhos humanos
Para chegares a ser uma estrela?

Monday, January 29, 2007

Amanhã















Amanhã eu quero um sorriso de arco-íris
Já que o hoje tem uma mordida hostil.
Quero. E quero isso de graça.
Pois que o mundo tem me cobrado um preço desconhecido em cifras
E conhecido desafortunadamente no ego.
Meus diamantes lacrimosos já são conhecidos das flores no jardim,
Visto que os dias cerram as minhas pálpebras
Para aquilo que é demais à qualquer coração.

Eu quero ouvir mais corações pulsando em meu quintal.

29.01.2007

Saturday, December 02, 2006

A estrada















Pé na estrada
Incerto de certos passos
Errante vou
Em acertos sem platéia
A única moda que sigo
É o céu azul
Nada me serve
E em nada sirvo
À nada sirvo
De nada servo
"De nada" digo
Quando educados comigo.
Nem estrelas sobram
Porque elas nunca preenchem
Não visto o tempo
Para contá-las
Sê-las seria melhor
Seria, serás e és
Como a estrada defronte aos meus pés
Apenas sigo cego e surdo aos apelos
Com a estrada sob os meus pés.


02.12.2006